Meia laranja 1 355 2500
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" Meia- Laranja", termo náutico comum a dirsos lugares portuários ou de saída para o mar, é uma expressão que vai muito além do seu sentido mais literal: escotilha de serventia à antecâmara de um navio, segundo a definição comum dos dicionários. Literalmente, ainda pode designar um lugar, ou pedaço  de território, em forma de semi-círculo.

 

A imaginação estética de Hermano Noronha e a sua apurada sensibilidade humana levaram-no a escolher este dueto de palavras como conceito aglutinador de um projecto fotográfico capaz de exprimir a poética de um território e de captar os seus marcadores simbólicos. Se a ideia foi fecunda, o processo criativo foi inclusivo e embrenhado na comunidade. O resultado artístico é belo e interpelante.

 

Quem conhece a Praia da Barra, em Ílhavo, e já percorreu o molhe da Meia Laranja ao vento agreste que ali faz, compreende bem a densidade cultural e a carga semiótica desta expressão. No imaginário local e de toda a região lagunar de Aveiro permanecem vivas e contundentes as imagens associadas ao lugar: os lugres bacalhoeiros, de pano aberto, saindo a barra, esguios e imponentes, e as mulheres dos seus tripulantes, correndo e acenando no paredão, em choros copiosos. Ílhavas, gafanhoas, murtoseiras, nazarenas, competindo na saudade, quais viúvas de vivos. No ansiado regresso, eram idênticas as reacções e maior o drama.

 

A "meia-Laranja" - aquela e não outra - é assim um lugar e um "não lugar", simultaneamente. Esta dicotomia de sentidos condensa a ideia que deu corpo a um projecto fotográfico que tomou como matéria de eleição as memórias desencontradas da grande pesca, na sua permanente hesitação entre o drama e a apopeia.

 

Na sequência de trabalhos anteriores em que expressou a sua inquietação artística pelas meta-narrativas da sociedade portuguesa – memórias traumáticas, que flutuam entre a exaltação e o recalcamento –, Hermano Noronha voltou a puxar pelo fio da memória das guerras coloniais. Desta vez, a guerra de África é invocada na sua mítica relação com a pesca do bacalhau. É este o ponto nodal do projecto e é este o exorcismo libertador que o artista nos propõe."

 

 

 

Ficha Técnica:

 

Edição | Câmara Municipal de Ílhavo / Museu Marítimo de Ílhavo

Av. Dr. Rocha Madahil
3830 - 193 Ílhavo
museuilhavo@cm-ilhavo.pt  
www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt 

 

ISBN | 978-972-8863-32-6

 

Depósito Legal | 416991/16

 

Autor(es) | Hermano Noronha; Álvaro Garrido