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"A cultura marítima alimenta-se do fascínio pelo mar, de pequenas sensibilidades e grandes rigores.


Se tomarmos a cultura náutica como uma expressão de classe de culturas marítimas patrimonializadas, a definição anterior adquire um forte sentido. No entanto, assim como a cultura e o património não são sinónimos, também as culturas náutica e marítima se não podem confundir. A primeira é apenas uma parte da segunda, visto que o conceito de cultura marítima se tem vindo a alargar, pluralizando os seus referentes patrimoniais.


A produção miniatural de artefactos náuticos experimentados a bordo por oficiais das Marinhas de Guerra e Mercante tem uma longa e respeitável tradição, em especial nos países que fizerem das suas marinhas o baluarte de uma cultura navalista que gerou majestosas colecções e notáveis museus. O fabrico artesanal de miniaturas de embarcações governadas ou conhecidas pelos seus próprios modelistas corresponde à necessidade afectuosa (ou mesmo nostálgica) de lembrar o mar, de evocar os navios e exprimir socialmente o saber exigido pela navegação. Segundo a interpretação de autores como Michel Mollat, a produção de modelos de embarcações por parte de oficiais supõe uma espécie de exorcismo do risco de esquecimento da vida marítima e das eventualidades de desvalorização dos ofícios cimeiros da navegação e da guerra.
O interesse dos capitães de navios bacalhoeiros pelo modelismo naval participa destes motivos gerais, mas exprime um gosto particular, muito cultivado e necessariamente subjectivo. À semelhança de outros notáveis companheiros, o Senhor Capitão António Marques da Silva deu-se (ter-se-á dado, julgamos) às artes do modelismo naval e ao estudo das medidas e formas dos navios desde o momento em que a experiência de mar lhe confirmou as vantagens práticas do rigor dos cálculos e do acerto dos métodos. O rigor matemático, a vivência de longas horas de mar e a experiência acumulada em situações difíceis e imprevistas, moldaram o caracter e o gosto de um certo número de capitães de navios bacalhoeiros mais sensíveis para o estudo e aprofundamento dos seus saberes empíricos. O prazer da leitura nas horas vagas e os hábitos de redacção objectiva e rigorosa facilitaram o interesse pela pesquisa bibliográfica e incentivaram à escrita de memórias e monografias de temas navais.


O Capitão Marques da Silva reúne todas estas características e invulgares qualidades. As peças de sua autoria arroladas no presente catálogo exprimem talentos diversos que acrescentam ao seu curriculum de mar as facetas de modelista exímio e de pesquisador metódico, sempre preocupado com o alcance pedagógico dos seus modelos, desenhos e estudos de caracter monográfico sobre “embarcações tradicionais”. O depósito desta colecção particular no Museu Marítimo de Ílhavo acrescenta riqueza às memórias materiais da “faina maior”, visto que a maioria das peças permitem ao Museu novos e belos suportes de discurso para as memórias que pretende evocar. À Associação dos Amigos do Museu agradeço o facto de ter persuadido o Senhor Capitão Marques da Silva a depositar a sua “colecção” no seu lugar natural. À Dr.ª Ana Maria Lopes e ao próprio autor agradeço o trabalho de preparação e redacção do presente catálogo."

 

 

Ficha Técnica:

 

Produção/Edição | Amigos do Museu de Ílhavo

 

Coordenação de Edição | Ana Maria Lopes

 

Nota de abertura | Álvaro Garrido

 

Textos | Ana Maria Lopes e António Marques da Silva

 

Inventário e conservação da colecção | Ana Maria Lopes e António Marques da Silva

 

Fotografia | Carlos Pelicas

 

Design Gráfico | Consciente-Audiovisuais e Multimédia

 

Impressão e Acabamento | Grafigamelas - Aveiro

 

Tiragem | 500 exemplares

 

Páginas | 75 páginas

 

ISBN | 978 972 8863 13 5

 

Depósito legal | 273731/08

 

1ª Edição | Abril de 2008