O discurso das Artes é um admirável afluente das culturas marítimas. Olhando a Arte e os artistas como produtores de imagens e representações culturais que podem servir a vontade social de conhecer o mar e os seus insondáveis mundos, reafirma-se a pretensão pós-moderna de atribuir aos museus o dever da interpelação activa, em lugar do convite à contemplação passiva.
Esta cadeia de postulados exprime as intenções de projecto da exposição Rostos da Pesca.
A memória e a estética têm sido os tópicos referenciais do projecto cultural do Museu Marítimo de Ílhavo durante os últimos anos. Mas só no plano teórico, ou abstracto, estas dimensões se separam. Toda a memória encerra uma estética ou um fundo de imagem que sutura as narrativas de recordação; e toda a estética se preenche por meio da memória, convocando a espessura do tempo ou accionando o acto de recordar.
Esta imbricada relação – de natureza fenomenológica, mas sobretudo social – mais se estabelece nos universos culturais densamente habitados por visões patrimoniais; o mesmo seria dizer, em culturas dominadas pela ideia de morte e por sensações colectivas de perda. As memórias da pesca exprimem contundentemente estes reflexos culturais.
Publicação | Ílhavo: Câmara Municipal de Ílhavo; Museu Marítimo de Ílhavo, 2008
Desc. Física | 1 vol., pág. var. : ilustrado
Notas | Contracapa tomada como página de rosto.
Exposição que decorreu no Museu Marítimo de Ílhavo de 18 de Maio a 27 de Setembro de 2008.
Autores | Álvaro Garrido; Márcia Carvalho