Meia laranja 1 355 2500
7,50 €

 

Quem conhece a Praia da Barra, em Ílhavo, e já percorreu o molhe da Meia Laranja ao vento agreste que ali faz, compreende bem a densidade cultural e a carga semiótica desta expressão. No imaginário local e de toda a região lagunar de Aveiro permanecem vivas e contundentes as imagens associadas ao lugar: os lugres bacalhoeiros, de pano aberto, saindo a barra, esguios e imponentes, e as mulheres dos seus tripulantes, correndo e acenando no paredão, em choros copiosos. Ílhavas, gafanhoas, murtoseiras, nazarenas, competindo na saudade, quais viúvas de vivos. No ansiado regresso, eram idênticas as reacções e maior o drama.

 

Na sequência de trabalhos anteriores em que expressou a sua inquietação artística pelas meta-narrativas da sociedade portuguesa – memórias traumáticas, que flutuam entre a exaltação e o recalcamento –, Hermano Noronha voltou a puxar pelo fio da memória das guerras coloniais. Desta vez, a guerra de África é invocada na sua mítica relação com a pesca do bacalhau. É este o ponto nodal do projecto e é este o exorcismo libertador que o artista nos propõe.