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O discurso das Artes é um admirável afluente das culturas marítimas. Olhando a Arte e os artistas como produtores de imagens e representações culturais que podem servir a vontade social de conhecer o mar e os seus insondáveis mundos, reafirma-se a pretensão pós-moderna de atribuir aos museus o dever da interpelação activa, em lugar do convite à contemplação passiva.


Esta cadeia de postulados exprime as intenções de projecto da exposição Rostos da Pesca.


A memória e a estética têm sido os tópicos referenciais do projecto cultural do Museu Marítimo de Ílhavo durante os últimos anos. Mas só no plano teórico, ou abstracto, estas dimensões se separam. Toda a memória encerra uma estética ou um fundo de imagem que sutura as narrativas de recordação; e toda a estética se preenche por meio da memória, convocando a espessura do tempo ou accionando o acto de recordar.


Esta imbricada relação – de natureza fenomenológica, mas sobretudo social – mais se estabelece nos universos culturais densamente habitados por visões patrimoniais; o mesmo seria dizer, em culturas dominadas pela ideia de morte e por sensações colectivas de perda. As memórias da pesca exprimem contundentemente estes reflexos culturais.