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Este trabalho de Rui Fonseca devolve-nos um Atlântico espreguiçado nas suas correntes de água, nos seus fluxos de troca e de cultura. Ostensiva ou ocasional, a composição de uma trilogia de imagens fixas, compostas de impecáveis pretos e brancos, sobre o Atlântico e suas margens, resultou num extraordinário álbum de memórias de lugares reais e imaginários. Das pitorescas enseadas norueguesas das ilhotas da Hitra, à pujança de uma rebentação sobre o molhe da Costa Nova (Ílhavo) e à negra mansidão das montanhas do Pico que se debruçam sobre o “mar dos Açores”, o Atlântico é-nos devolvido como um lençol contínuo e comunicante. A relativa uniformidade das paisagens continentais atlânticas é pontuada pela descontinuidade dos espaços insulares, ontem como hoje anexos preciosos do Oceano e suas principais vanguardas ou pontos de rumo e de saída para outros mundos.
No realismo figurado que sempre releva da boa fotografia, Rui Fonseca aborda com elegância a ambiguidade do mar, fonte de vida e de morte, por meio de imagens que remetem para os domínios do intangível.